Efeitos da desidratação na saúde
Uma desidratação continuada tem efeitos no organismo, a médio e a longo prazo, nomeadamente:
No sistema renal – Uma desidratação leve constante e o aumento consequente da concentração do líquido extracelular leva ao aumento da secreção de vasopressina, levando ao processo de concentração de urina. Este efeito vai induzir alterações morfológicas e funcionais no rim, nomeadamente na taxa de filtração glomerular, podendo funcionar como factor de risco para insuficiência renal crónica e nefropatia diabética2.
Infecções do tracto urinário – a possibilidade de infecção do tracto urinário não é dependente do estado de hidratação, embora, em caso de infecção, seja muito importante para melhorar os resultados da terapia anti microbiana, uma vez que a diurese diminui o volume bacteriano por eliminação3.
Urolitíase – um volume de urina baixo é um importante factor de risco para a formação de cálculos nos rins; o aumento do volume e consequente diluição da urina tem um efeito protector da cristalização de sais4.
No sistema digestivo:
Secreção salivar – a desidratação provoca uma diminuição da secreção salivar. Sabe-se que existe uma relação entre a desidratação e o fluxo salivar, muito importante para neutralizar os ácidos da placa bacteriana5. Não existe, no entanto, uma relação directa entre a desidratação e as doenças dos dentes, como cárie e erosão dentárias5.
Obstipação – a ingestão inadequada de líquidos é uma das causas importantes de obstipação, especialmente em crianças. Embora em pessoas hidratadas o aumento da ingestão de líquidos não altere o volume fecal, em pessoas desidratadas e obstipadas, esse aumento vai melhorar substancialmente a consistência das fezes6.
No sistema respiratório:
Doenças bronco-pulmonares – embora se aconselhe frequentemente uma ingestão elevada de líquidos em doentes com bronquite crónica e asma, são necessários mais estudos para se esclarecer o papel da desidratação nestas doenças7.
No sistema circulatório:
Doença coronária – alguns autores descrevem uma associação inversa entre o consumo de água e o risco de doença coronária2.
Na cognição:
Vários trabalhos que testaram sujeitos em estado de desidratação ligeira, observaram alterações de funções cognitivas como diminuição da capacidade de atenção, concentração e memória, comprometendo em alguns casos, a tomada de decisão e a eficácia da resolução de problemas de aritmética. As crianças e os adolescentes parecem estar particularmente sujeitos a risco de comprometimento da função cognitiva devido a insuficiente hidratação. Mais informação por favor clique aqui.